Conectando Frantz Fanon e Tyler, the Creator na capa da mixtape e beat tape “A Cor da Casca”

Acabou de sair meu terceiro álbum e primeira beat tape e mixtape “A Cor da Casca”. Se ainda não conferiu, escute aqui e se prepare para ouvir 9 beats de vertentes diversas relacionadas ao hip-hop e de mote anti-fascista para iluminar esses tempos sombrios que estamos vivendo.

A capa foi feita pelo fotógrafo, designer, skatista e batera Marcos Van Basten, camarada que conheci fazendo a tour do EP tropiCALLien em setembro quando outro camarada, o irlandês Cathal Nally, esteve aqui no Brasil se apresentando comigo em Barbacena (cidade do Marcos!), Rio de Janeiro e Juiz de Fora.

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Imagem da capa do terceiro álbum e primeira beat tape e mixtape de Gusmão “A Cor da Casca” feita por Marcos Van Basten.

O conceito foi desenvolvido por mim e inspirado em reflexões motivadas pelos estudos do doutorado baseado no trabalho do intelectual e militante anti-colonialista Frantz Fanon em relação às produções musicais e audiovisuais de Tyler, the Creator. Ambos, tanto o falecido intelectual e ativista quanto o artista contemporâneo em questão, têm provocações bastante pertinentes em torno do racismo e sobre como ele está imbuído em todos nós já que é parte da própria estrutura social e da forma como foi fundada. Não é à toa que batizei uma das faixas do álbum de “Fanon, the Creator“.

Fanon afirma que o fim do racismo seria capaz de libertar tanto o branco da sua presunção de superioridade, quanto o negro focado em lutar contra esse jogo. Angela Davis, outra pensadora e ativista importante nessa área diria que em uma sociedade racista não basta não ser racista, é preciso ser anti-racista. Assim sendo, esse compromisso passar a ser de toda a sociedade e não somente de pessoas negras e pardas que são os alvos dessa mazela social.

Foi justamente o conceito de “máscara branca” desenvolvido por Fanon em seu célebre trabalho “Peles Negras, Máscaras Brancas” (1953) que serviu de inspiração à capa da minha beat tape e mixtape “A Cor da Casca”. Fanon, que era psiquiatra de formação e profissão, disseca neste trabalho os mecanismos e o impacto psíquico que o racismo causa e em meio a essa análise conta sobre como é preciso ao negro utilizar dessa “máscara branca” para sobreviver em um mundo de hegemonia branca. Não obstante, Tyler aparece pintado de branco nos videoclipes de “Tamale”, “Buffalo” e em “Who Dat Boy” tem uma máscara branca costurada sob a face.

Vejo isso tanto como uma subversão da prática racista da blackface, infelizmente também praticada no Brasil por meio da tal “fantasia” de carnaval conhecida como “nêga maluca” quanto uma referência ao próprio trabalho de Fanon como vemos em “Who Dat Boy”.

Somando tudo isso à minha própria percepção enquanto mestiço, filho de um casal interracial e brasileiro vivendo em tempos nos quais uma população majoritariamente negra, parda e feminina parece querer eleger um candidato que se coloca abertamente contra esses grupos, tal pensamento me deixa um tanto quanto perplexo. Será que parte da explicação sobre tal fenômeno político se dá justamente pelo fato de que no Brasil também vestirmos essa “máscara branca” e não nos reconhecermos como um povo majoritariamente negro, pardo e mestiço?

Foi por meio dessas reflexões que cheguei à capa e ao conceito da minha primeira beat tape e mixtape “A Cor da Casca“: uma velha fita cassete branca desbotando e tornando-se preta, pois como diria aquele célebre verso de Rincon Sapiência “para esclarecer, escureci”. Esse processo diz também sobre o meu próprio amadurecimento em relação a essa questão, pensando sobre como funciona a linha do colorismo no Brasil e os privilégios que isso traz simplesmente por uma questão de tom de pele. Vale pensar também que a palavra “casca” pode se relacionar tanto com “máscara” quanto “casta” dentro da crítica proposta nesse conceito que desenvolvi.

Outro fato que casou bem com isso tudo é que se trata de um álbum apenas de beats, ou seja, uma linguagem musical fortemente ligada à diáspora africana ao redor do mundo. Enfim, preparem-se pois mesmo se tratando de um trabalho instrumental, ou seja, sem vocais, cabe espaço para muita reflexão. Aproveitei para homenagear diversas figuras importantes quando criei o nome das músicas como B.B. Prince (salve meu primogênito, BB King e Prince!), Edward Said e bell hooks, só para citar alguns exemplos.

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Imagem da contra capa do novo álbum “A Cor da Casca” por Marcos Van Basten

E aí, gostou do conceito e da capa do novo álbum “A Cor da Casca” e ficou curioso para ouvir o resultado sonoro disso? Então, aproveite para compartilhar esse post agora mesmo e fazer com que mais pessoas e se liguem nesse som e nessa ideia! 😉

 

 

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ASSISTA ao show no Maquinaria, Juiz de Fora na SUDESTE TOUR feat. Cathal Nally (IRL)

Conforme vocês já devem saber, durante o feriado da “independência (risos)” celebrado no dia 7 de setembro realizei a SUDESTE ‘tropiCALLien’ TOUR passando pelas cidades de Barbacena, Juiz de Fora e Rio de Janeiro.

Nesse belo rolê, fui acompanhado pelo músico e amigo irlandês Cathal Nally tocando músicas dos meus dois álbuns, além de canções da banda Mountainous Riff Club que tivemos em Cork, Irlanda e mais algumas releituras e mashups que fazem parte da minha trajetória.

No Maquinaria em Juiz de Fora, tivemos a satisfação de ter o nosso show registrado, o qual eu compilei e gerei esse material de 5 músicas com canções do No Grave do Groove e do EP tropiCALLien lançado em junho deste ano.

Então, sem mais delongas, APERTA O PLAY e decola com a gente nessa viagem sonora! Se gostar do que assistiu, aproveita para compartilhar e dividir essa experiência com xs amigxs. NOIX!

CONFIRA como foi a entrevista para o programa Tropofonia Rádio UFMG Educativa

Recentemente tive o prazer de estar no programa Tropofonia transmitido pela Rádio UFMG Educativa a convite do grande músico e amigo Francesco Napoli. Tivemos um bate-papo desconstraído aonde contei a minha trajetória pessoal e musical em meio a improvisos ao vivo e seleção de sons relativa à minha história passando por artistas como Korn, Julgamento, meu trabalho solo e Tyler, the Creator.

O programa foi ao ar no dia 10 de outubro de 2018 e agora que tenho os arquivos em mãos decidi subir no Soundcloud pra todo mundo ouvir e é provável que eu suba também no meu canal do Youtube.

Foi um deleite entrar na “cápsula do tempo” e do clima psicodélico do Tropofonia e sei que vocês vão curtir embarcar nessa viagem com a gente. Portanto, sem mais delongas, aperta o play e deixe seu comentário dizendo o que achou da entrevista! 😀

CONFIRA entrevista no programa Tropofonia na Rádio Educativa UFMG essa segunda-feira

Hoje, segunda-feira, 10 de setembro, estarei no programa Tropofonia a convite do grande amigo e músico Francesco Napoli. Batemos um papo sobre Tyler, the Creator, Korn, trabalho solo, vida, música, improvisos e viajamos na “cápsula do tempo”… certamente uma experiência incrível para nós e acredito que será para os ouvintes também.

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Programa “Pai da Matéria” com Gusmão entrevistado por Francesco Napoli.

Você pode sintonizar a Rádio UFMG na frequência 104,5 FM e vir conosco nessa viagem (a)temporal e sonora. Aproveite também para compartilhar esse link e possibilitar o acesso à nossa “cápsula do tempo” à mais pessoas também! 😉

Música e pós-colonialismo: confira o Making Of de “Pau Brasil”

Quem acompanha meu trabalho como músico, produtor e pesquisador sabe que atualmente estou me dedicando a um doutorado sobre o trabalho musical de Tyler, the Creator. Nesse caso, devem saber também que as contribuições do intelectual Frantz Fanon têm servido como fundamentação teórica para as discussões sociais e raciais presentes no trabalho do multiartista californiano.

Contextualizo isso antes de falar diretamente sobre o Making Of do meu videoclipe mais recente “Pau Brasil” pelo fato de que estamos na semana do 7 de setembro, o nosso famigerado Dia da Independência. Independência essa que tem sido fortemente minada pelo desgoverno Temer e que segue a tradição das elites locais em serem subservientes aos interesses estrangeiros.

Ainda que eu tenha lá as minhas resistências à terminologia “pós-colonialista” já que talvez a gente não viva mais que uma sofisticação do sistema colonial de outrora, utilizei ela no título desse post pelo fato de ser amplamente aceita no ambiente acadêmico e também ter sido utilizada posteriormente para alcunhar o legado intelectual de Fanon.

Isso é importante ser enfatizado porque o próprio Fanon não se valia de tal termo, sendo mais comum em suas obras expressões como “decolonizar” do que uma ideia de realidade “pós-colonial” para os países do chamado “Terceiro Mundo”.

Com isso, fico também pensando se não seria essa uma estratégia hegemônica de adjetivar um autor tão combativo como “pós-colonialista”? Fico cá com as minhas pulgas atrás da orelha… quem realmente souber, esclareça este doutorando que vos fala, por favor!

E vamos ao que interessa: o mote da música e do videoclipe de “Pau Brasil” foi justamente discutir essas questões todas que adiantei aqui. Obviamente, estar envolvido em um estudo sobre essa temática serviu de inspiração para a letra e consequentemente a própria concepção audiovisual arquitetada pelo diretor Samuel Rodrigues.

As locações escolhidas para o videoclipe representam muito bem toda a ideia e assistindo ao Making Of vocês terão uma ideia melhor disso.

Então, sem mais delongas, confira o Making Of “Pau Brasil” e entenda mais sobre o conceito e contexto desse videoclipe. Aproveite também para compartilhar com @s amig@s e fazer essa mensagem chegar mais longe!

 

Setembro do rolê: DJ set no Café com Letras e depois SUDESTE TOUR feat Cathal Nally

Esse setembro vai ser do rolê! E digo isso com grande satisfação porque será a primeira vez que levarei o meu trabalho solo para além dos limites da RMBH e Minas Gerais passando pelas cidades de Barbacena (6/9), Rio de Janeiro (7/9) e Juiz de Fora (8/9). 

O irmãozão Cathal Nally estará nessa missão comigo tocando trompete nas minhas músicas colocando uma pegada diferente nelas. Levo também meus samples e beats dando sequência ao novo formato de show meio eletrônico, meio orgânico.

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Clique para acessar o evento da Tour no Facebook e confirmar presença!

É muito bom ver que um músico que me acolheu muito bem quando estava longe de casa morando em Cork, Irlanda iniciiando meu doutorado em música sobre o trabalho de Tyler, the Creator agora vai atravessar o atlântico para conhecer o Brasil e fazer esse rolê massa tocando comigo por aqui.

No repertório estamos preparando músicas do “No Grave do Groove” (2015) e “tropiCALLien” (2018)  além de provavelmente incluirmos canções como “Mira” e “Water” da banda Mountainous Riff Club a qual Cathal faz parte e eu integrei como baterista, rapper, compositor e co-produtor quando o grupo lançou seu disco de estreia em 2016.

Bom, e pra deixar tudo ainda melhor antes de partir para essa empreitada por MG e RJ no feriado do Dia da Independência (independência essa que ainda não aconteceu, né?!) tem discotecagem minha no Café com Letras no sábado dia 01/09. Vou chegar chegando de muito dub, lounge, trip-hop e brasilidades. Perde não, BH!

E aí, conhece alguém que mora nas cidades pela qual a SUDESTE TOUR irá passar? Então, que tal compartilhar esse post para que mais pessoas possam colar nos shows? Simbora!

Show dub em formato acústico no Odara esta sexta-feira dia 10 de agosto

Salve, esta sexta-feira, dia 10 de agosto, a partir das 19 horas estarei no Odara — espaço super massa no bairro União em BH — acompanhado do meu comparsa Helder Araújo (guitarra, Julgamento) em formato dub acústico tocando músicas dos meus dois álbuns autorais: “No Grave do Groove” (2015) e o recém-lançado “tropiCALLien” (2018), além de algumas releituras extras, é claro.

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Se você perdeu o show de lançamento dia 14 de junho n’ A Autêntica, então essa é a segunda chance de conferir de perto e ao vivo não só as músicas que já foram lançadas a mais tempo em um formato diferenciado, como as inéditas que fazem parte do novo EP.

E bom, nem só de dub vive o homem e vai ter espaço também para canções como “Samba de Aprumar” e demais ritmos que dialogam com a diáspora africana e que são influências diretas no meu trabalho como o rock, o ska, o maracatu, o xote e tantos outros mais.

Então, não dá mole e compareça! Os ensaios vão bem e teremos uma noite sensacional de muita música e originalidade.

Se gostou da notícia do próximo show, aproveite para compartilhar esse post e deixar mais gente sabendo desse rolê maravilhoso de sexta-feira em formato acústico dub no Odara!

Sobre o EP no Hominis Canidae, Bud Basement, World Ghetto Mix e mais

Tô um pouco sumido aqui do blog por conta dos últimos compromissos musicais os quais eu pude dedicar meu tempo e energia — razões pelas quais dou graças, obviamente — mas agora retorno pra compartilhar com vocês quais foram esses trabalhos mais recentes que me mantiveram ocupado.

Bom, primeiramente devo contar que estive nos estúdios da Rádio UFMG Educativa sendo entrevistado por Francesco Napoli no programa Tropofonia que também é transmitido mundialmente em países vizinhos da América Latina e Espanha. Uma entrevista aberta, psicodélica, musical e filosófica. Assim que for ao ar vou divulgar aqui para vocês!

Depois, tive a satisfação de ver meu novo EP ‘tropiCALLien’ sendo divulgado em um dos principais blogs de música independente e alternativa do Brasil: o Hominis Canidae.

Só eu sei o quanto ralei pra poder realizar esse meu segundo álbum que como disse anteriormente superou e muito as minhas próprias expectativas quando ouvi o resultado final. Quem é criativo sabe do quanto a gente é exigente consigo mesmo e dessa vez eu senti que finalmente acertei a mão em um trabalho gravado.

As novidades não param por aí e foi, de fato, um grande prazer ter realizado o show de lançamento desse EP ao lado de tanta gente talentosa como todxs xs músicos que compõem o projeto PAUSA PARA, GUIDUB e o rapper e amigo de trajetória ROGER DEFF. Foi um momento mágico que pudemos compartilhar com pessoas queridas para nós.

Depois fui convocado para tocar com o Swing Safado, originalmente um bloco de carnaval do Conjunto Santa Maria o qual já toquei outras vezes e agora em formato banda, para me apresentar com eles como baterista em uma festa junina particular com um público mais que sensacional e logo em seguida partir para o Budweiser Basement em BH o qual tocamos para mais de 2000 pessoas… INACREDITÁVEL!

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Como não se pode deixar a bola cair, lancei agora a pouco uma nova mix — que, por sinal, já tinha também que não lançava — a qual intitulei “World Ghetto Mix” unindo o melhor do rap, trap, funk e pagodão baiano. TÁ LINDIMAIS! CHEGA COMIGO NO GROOVE!

No mais, tem novidades pela frente que logo mais anunciarei… enquanto isso, compartilhe esse post com xs amigxs pra ficarem por dentro também do que tá rolando, NOIX!

ASSISTA AGORA videoclipe da música “Pau Brasil”

É com enorme orgulho e satisfação que anuncio que já está disponível meu mais novo videoclipe: a música “Pau Brasil” que encerra o novo EP ‘tropiCALLien’.

Com a ajuda e colaboração de pessoas queridas como o diretor Samuel Rodrigues, Francis Campelo (fotografia), Thales Ude (platô), meus familiares Conceição Freitas (mãe), Luiza Ude e meu irmão Vinicius Cavalo Doido, conseguimos concluir esse trabalho incrível.

Já estava ansioso para compartilhar com vocês esse material audiovisual que traz a tona o buraco social, político e econômico no qual nos encontramos por conta de um sistema ainda elitista e colonialista que nos domina. Aperta o play e vem comigo nessa ideia!

Gostou da música e do videoclipe? Aproveite para compartilhar com xs amigxs e fazer essa ideia chegar mais longe! NOIX 😉

ÚLTIMOS DETALHES sobre o show de lançamento do EP ‘tropiCALLien’ n’ A Autêntica

Salve, a essa altura quem acompanha as notícias por aqui e meu trabalho musical de uma forma geral, já está mais que ligad@ que essa quinta-feira, dia 14 de junho, faça o show de lançamento do meu segundo álbum: o EP ‘tropiCALLien’.

Se você ainda não colou lá no meu canal do YouTube para ouvir esse novo trabalho, tá dando mole e devia ir lá AGORA MESMO ouvir!

Esse disco composto por três músicas autorais das quais eu assumi toda a responsa desde letra, composição, instrumentação e produção musical traz a renovação da minha sonoridade por meio do hibridismo entre a música digital dos beats com instrumentos orgânicos, tanto em faixas instrumentais como aquelas com vocal.

Para o show de lançamento, preparei um evento mais que especial junto dxs camaradas Roger Deff, o projeto musical Pausa Para Tudo além da discotecagem do produtor musical GUIDUB.

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Poster da Noite Independente de lançamento do novo EP de Gusmão ‘tropiCALLien’.

Tudo isso a um preço mais que especial de R$15,00 o antecipado (que pode ser comprado tanto no local quanto no Sympla) e R$20,00 na portaria. E ah, aniversariantes da semana entram de graça e ainda podem levar mais 10 amigos pagando apenas R$10,00. Melhor que isso impossível, não é mesmo?

O evento começa às 22 horas com discotecagem de GUIDUB e às 23 horas já se iniciam os shows, por isso, fiquem atento ao horário para aproveitar todas as atrações!

Estamos bastante animad@s e queremos ver tod@s vocês que gostam e apoiam a música independente de BH colando EM PESO com a gente! Simbora? Então, não deixe de compartilhar esse post para mais gente ficar sabendo e colar com a gente! 😀

 

ESCUTE AGORA meu novo EP ‘tropiCALLien’ #ListenNow

Against all odds I am very happy and proud to announce that my new EP ‘tropiCALLien’ is available for y’all now. Go for it and play the music!

É nesse clima Mad Max tupiniquim que lanço meu novo EP ‘tropiCALLien’. Como já expliquei até demais o conceito e toda a ideia que o concebeu nos posts anteriores, não vou me prolongar muito aqui.

Aproveito a deixa para lembrar que nas próximas semanas sai também o videoclipe de “Pau Brasil” faixa que encerra esse álbum de três músicas. A temática é mais que propícia para esses tempos sombrios e adversos que estamos vivendo no país e será um trabalho audiovisual que servirá para o por o dedo na ferida e aprofundar o debate.

Além disso, não se esqueça do show de lançamento que será dia 14 de junho na casa de shows A Autêntica na Savassi, Belo Horizonte.

Sem mais delongas, decolem comigo nessa viagem lírica e sonora. APERTA O PLAY!

Ficha técnica:

TROPICALLIEN é o nome do novo disco de três músicas de Gusmão.

Arte gráfica: Gusmão

Vozes, instrumentos, composição e produção musical: Gusmão

Scratches: Dj Giffoni Gravado, mixado e masterizado no Estúdio Giffoni por Helder Araújo e Sérgio Giffoni

Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, 2018

Photo Jey Andie.

TIMECODE: A Glitch In The System 00:00 Samba de Aprumar 04:00 Pau Brasil 06:47

Curtiu o EP ‘tropiCALLien’? Dá um share aí e compartilha com xs amigxs! 😉

Conheça a capa e o conceito do novo EP ‘tropiCALLien’

TROPICALLIEN é o nome do meu novo álbum de três músicas. O nome engloba ao menos cinco palavras dentro dele – se acharem mais alguma, me avisem, rs – sendo elas: tropical, ‘call’, ‘all’, ‘calle’ e alien.

O conceito reflete a minha experiência plural como músico, tendo passado por diversos locais, tanto dentro quanto fora do Brasil, assim como vários gêneros musicais sem se fixar em nenhuma rótulo ou “caixinha” (daí, o ‘alien’ no nome).

Ao mesmo tempo entendo que todxs, independentemente da quantidade de lugares que possam ter percorrido, também podem se sentir deslocados diante o modelo de sociedade no qual vivemos no qual todo mundo tem que se esforçar para caber em alguma dessas “caixinhas” (daí, o ‘all’ no nome).

O tropical acho que não preciso explicar (rs) e o ‘calle’ fica por conta da linguagem urbana do meu som, sobretudo neste novo álbum no qual não gravei bateria, dando preferência à programação de beats transitando em genêros como o glitch-hop, o samba e o dub.

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Capa do EP tropiCALLien

 

O álbum estará disponível para escuta na próxima segunda-feira, dia 28/5, às 11 horas no meu Facebook, YouTube, SoundCloud e demais plataformas digitais como Spotify, Deezer, Google Play e tantas outras.

Compartilhe essa notícia com xs amigxs para que ninguém perca o lançamento!

SALVE A DATA: show de lançamento do novo EP em um mês!

I am happy to announce that in one month I will be releasing my new album, a 3-song EP that mixes diverse music genres as glitch-hop, samba and dub under electronic heavy beats. The launch gig will be held in my hometown Belo Horizonte and it is going to be awesome!

Desde o início desse ano venho trabalhando em meu novo EP de três faixas que agora já se encontra devidamente gravado, mixado e masterizado, ou seja, pronto pra sair do forno!

As gravações se deram no Estúdio Giffoni, parceiro já de longa data desde os tempos de Julgamento e do meu disco de estreia “No Grave do Groove” (2015). Pela quantidade menor de músicas pudemos nos dedicar muito mais ao processo de produção musical que, modéstia a parte, está soando impecavelmente bem, além de ter atingido uma maturidade conceitual e sonora que ainda não estava tão consolidada.

As músicas desse EP transitam entre o glitch-hop, a bossa e o dub com pitadas regionais e experimentalismos. As letras também se diversificam entre a exposição de experiências pessoais e reflexões sociais e políticas. A produção musical se concentrou na música digital, focando bastante nos beats adicionados a instrumentos orgânicos como a escaleta, o violão, o ukelele e meus vocais.

Recentemente, postei um trecho das três músicas em minha conta no Instagram e vocês podem conferir este mesmo vídeo logo abaixo:

A data do show de lançamento é 14 de junho e o evento contará ainda com outros nomes de peso da cena local fortalecendo este rolê comigo. Em breve vou anunciar quem são e também o local do show. Continuem acompanhando e espero ver todos lá nessa noite maravilhosa que estamos preparando…

E aí, gostou dessa notícia?! Então, compartilhe com xs amigxs e ESPALHE A PALAVRA! 

Confira entrevista sobre rap e hip-hop cedida à Rádio Terceiro Andar UFMG

Recentemente, tive o prazer de ceder uma entrevista à Rádio Terceiro Andar, produzida por alunos de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A temática foi a música rap e a cultura hip-hop nas quais pude pontuar algumas questões importantes ao seu contexto contemporâneo.

Para quem não sabe, além de ter feito parte do grupo de rap Julgamento por 7 anos (2007-2014) também desenvolvi pesquisa de mestrado sobre o Duelo de MCs concluída em 2013 e atualmente me encontro em um doutorado em música pela School of Music da University College Cork onde discuto as produções do empreendedor e multi-artista estadunidense Tyler, the Creator.

Com perguntas relativas às questões raciais e políticas desta produção musical e social chamei a atenção sobre como o ‘boom’ do rap na internet tem às vezes contribuído para um discurso esvaziado de suas práticas.

Sem mais delongas, escute a entrevista logo abaixo.

Venha ver de perto pesquisa sobre a música de Tyler, the Creator no 1º Seminário NEPPAMCs (UFMG)

Nesta quarta e quinta-feira, nos dias 11 e 12 de abril, das 09 horas da manhã até às 22 horas serão realizados diversos seminários, mesas-redondas e comunicações no 1º Seminário NEPPAMCs: Patrimônio e Mediações Culturais na Modernidade.

O evento acontecerá na Escola da Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e aglutinará estudantes e pesquisadores de diversas áreas relativas à cultura, sociedade e assuntos ligados à contemporaneidade de uma forma geral.

Eu estarei lá apresentando a minha pesquisa de doutorado sobre o trabalho musical de Tyler, the Creator às 15h30 da quinta-feira, dia 12 de abril. É possível acessar a programação completa neste link e se agendar para os vários debates que acontecerão nos dois dias.

Se você ainda não conhece o trabalho acadêmico que estou desenvolvendo sobre o empreendedor e multi-artista estadunidense em questão, você pode acessar o vídeo abaixo com subtítulos em português (PT-BR) da minha apresentação na University College Cork, instituição de origem onde iniciei este estudo.

E ah, não se esqueça de compartilhar este post para que mais pessoas possam se juntar a nós e fazer parte desta proveitosa reflexão 😉 vamo que vamo!

Caminhando para uma nova sonoridade (towards a new sound)

In my new album — to be released this June, 2018 — I’m going toward digital music way more than “No Grave do Groove” (2015) wherein I invested a lot in composing music to play with a band… this Sunday afternoon I just improvised something on Ableton Live that might sound as my music will sound from now. CHECK IT OUT!

No meu novo álbum que será lançado em junho deste ano de 2018, investi bastante em produção digital buscando uma nova sonoridade que teve como exceção apenas o violão acústico em duas das três músicas que compõem o álbum, além de algumas intervenções de escaleta e ukelele.

No mais, todo o restante da produção não contou com qualquer instrumento orgânico para além da voz e várias das batidas, timbres de baixo e arranjos vieram do computador.

Tem sido muito interessante investir neste formato tanto pela liberdade de tocar sozinho e poder levar música aonde eu quiser quanto pelas possibilidades de timbre, equalização, mixagem e diversos outros ajustes e manipulações sonoras que divergem bastante de um som com banda.

Não é de hoje que tenho me ligado em novas abordagens quando o assunto é música, tanto na academia como doutorando ou como músico no meu trabalho solo e tocando com outras pessoas.

A verdade é que tenho estado cada vez mais animado com a música digital e estou ainda mais satisfeito com este novo álbum que estar por vir e que dentro de alguns meses vocês poderão conhecer.

No mais, confiram o novo beat que compus neste domingo em casa em uma pegada bem chillwave e que representa bastante a direção que meu som tomará daqui para diante.

Se gostou do vídeo, deixe seu comentário! Até o próximo post…

 

 

Acompanhe como estão as gravações do novo EP

Desde final de janeiro que iniciei o processo de gravação e produção do meu novo EP, ainda sem nome definido, que contará com três músicas originais e inéditas de minha autoria.

Até agora já conseguimos finalizar a gravação de todo o disco que se encontra em fase de mixagem. Inclusive, foi justamente no momento de mixar que tivemos novas ideias e agregamos ainda mais valor às músicas como esses maravilhosos scratchs feitos por DJ Giffoni do Estúdio Giffoni para a canção “Samba de Aprumar”. Veja no vídeo abaixo!

Seguindo a tradição da música dub sempre presente no meu som, também gravei algumas escaletas para outra música do álbum que está vindo recheado de beats eletrônicos, trip-hop, glitch-hop, acid jazz e experimentalismos misturados à nossa música brasileira. Neste outro vídeo tem um trecho de um som onde juntei forró, dub e beat. Confira!

E sobre o freestyle cheio “ousadia e alegria” (sim, somxs bregas) a que o vídeo acima se refere está aqui, onde cito Wu-Tang Clan, Jorge Ben e umas outras paradas que meio à mente rsrs… divirtam-se e aproveitem para seguir lá no Instagram e não perder nenhum vídeo! 😉

Balanço do carnaval em BH: do Skarnaval ao Bloco Swing Safado

Se eu for considerar 2018 pelo carnaval que vivenciei já posso dizer que será um ótimo ano! Além de poder rever divers@s amig@s querid@s nas ruas de BH, fui ainda convocado pelos camaradas d’O Leopardo  para tocar com eles no Skarnaval n’A Fábrica junto de outras bandas super legais como Pequena Morte, Desorquestra, Frito na Hora e Yellow Cap. E não pára por aí…

 

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Foto por Fred Wertz @ Skarnaval

Depois de ter curtido vários blocos legais como Baião de Rua, Bloco do Marley, Pacato Cidadão e I Wanna Love You, só para citar alguns exemplos, fui convocado por outro grande amigo, o Jeffersom “Jeffim” Gomes, figura super ativa na cena artística de BH e do Conjunto Santa Maria, para mais uma vez integrar a banda e Bloco Swing Safado como baterista.

O mais legal de tudo é que depois de ter curtido bons dias de carnaval ainda fui ter essa oportunidade no sábado pós-carnaval com o amigos do Swing. Além disso, o repertório é pra lá de divertido passando por ritmos contagiantes como axé, arrocha, pagode baiano e funk carioca entre covers, releituras e canções próprias.

Outro amigo, o DJ Bill, também bastante ativo na cena musical da cidade fez este maravilhoso vídeo no celular de 1 min de um trecho da música “Di Betim”, que inclusive já está com clipe no YouTube e é uma paródia-releitura da música do Khaled. Confira!

Depois de todo este rolê maravilhoso no carnaval de Belo Horizonte, o esquema agora é seguir o ano energizado com esse axé recebido por tantos blocos e shows que pude fazer que me deixaram bastante feliz. Siga lindão, 2018!

Deixa seu comentário contando também como foi seu carnaval 😉 até a próxima!

Do you know there is a PhD research on the music work of Tyler, the Creator? Check it right now!

Recently, I was at University College Cork (UCC)’s School of Music presenting a snapshot of my PhD research on the music work of Tyler, the Creator with the paper “Find your Wings: From the Post-Gangsta Rap of Tyler, the Creator, Kendrick Lamar and Vince Staples to Frantz Fanon“.

In this presentation, I show how Tyler and his Californians peers are changing some important gangsta tropes that contributes to a positive change in rap music. I also present how it resembles the paradigms break there is going in other parts of the world as Brazil, my homeland.

I connect all this will of transcending stereotypes in black music with the scholarly work of brilliant psychiatrist Frantz Fanon who shown in his book The Wretched of the Earth (1961) how social oppression boosted dreams of impossible achievements in the imagination of the oppressed.

If you don’t know me what I am talking about, just play the video below and fly with me!

Party People Mix: De Nego do Borel a Kraftwerk

Mais uma vez, procurando oferecer algo diferenciado e livre de preconceitos aos melhores ouvidos, postei mais uma mix no meu perfil do Mixcloud. Como a diversidade sonora é prata da casa, passei por vários artistas nacionais e internacionais indo de Nego Do Borel a Kraftwerk.

Ainda tem Rincon Sapiência, Gustavo Pontual, remixes de Tyler, the Creator e Kendrick Lamar. E aí, ficou curios@?! Então, sem mais delongas segue a nova PARTY PEOPLE mix… APERTA O PLAY!

Conheça pesquisa de doutorado que une o trabalho de Tyler, the Creator ao pensamento de Frantz Fanon

Recentemente, em novembro de 2017, estive de volta à University College Cork (UCC) na Irlanda para dar continuidade ao meu doutorado, onde apresentei minha pesquisa na School of Music com o meu painel “Find Your Wings: From The Post-Gangsta Rap of Tyler, the Creator, Kendrick Lamar and Vince Staples to Frantz Fanon“.

Nesse paper, eu apresento a conexão entre as produções musicais e audiovisuais de Tyler, the Creator — principal tema do meu PhD — com o pensamento do estudioso decolonialista ou pós-colonialista Frantz Fanon que desenvolveu um trabalho brilhante enquanto psiquiatra e militante da causa negra e terceiromundista.

Se você está achando estranho que eu esteja conseguindo conectar o pensamento de um estudioso do “terceiro mundo” com o trabalho musical de Tyler, the Creator é só assistir à minha apresentação que entenderá. Nela, eu ainda falo sobre Kendrick Lamar, Vince Staples e meus conterrâneos Djonga, DV Tribo e Well.

E aí, ficou curios@? Confira agora mesmo no vídeo abaixo!

Rap Funk: Conheça o remix de Tyler, the Creator com MC Fioti “Bum Bum Tamale”

Sempre a fim de ir além pela música juntei “Tamale” do Tyler, the Creator com “Bum Bum Tam Tam” do MC Fioti. O flow nervosão de Tyler contrastou bem com a batida maliciosa de “Bum Bum Tam Tam” de MC Fioti. Uns vão estranhar, outrxs tantxs podem viajar na minha viagem… sem mais delongas, aperta o play e curte e compartilha com xs amigxs!

Agende-se para a estreia da peça “Homem Vazio na Selva da Cidade” na Zap Dezoito

Tem sido um imenso prazer estar à frente da trilha sonora da peça teatral “Homem Vazio na Selva da Cidade” da Zap Dezoito que terá sua estreia com temporada de apresentações nos dias 10, 11, 12 e 13 de novembro, às 20h30 horas, sendo dia 12 às 19h00.

Um trabalho crítico, reflexivo sem deixar de lado o humor como ferramenta de provocação sobre a vida que temos levado nas cidades. Se você tem sentido que tem algo de muito errado acontecendo no mundo, precisa conhecer esse trabalho e vir refletir com a gente sobre esse mundo de distopia e pós-verdade que vivenciamos.

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A trilha foi feita com muito carinho, valorizando os beats urbanos do rap, funk tamborzão, trap e jazz e modéstia a parte, fiquei muito feliz com o resultado!

Vejo vocês na sede da Zap Dezoito na Rua João Donada, 18, bairro Serrano às 20h30 no dia 10!

Um grande abraço e até lá!

 

Chill Mix 2: De Alfa Mist à Tommy Guerrero

Empolgado com a primeira Chill Mix que lancei semana passada só com sons e grooves relaxantes, resolvi continuar nessa mesma pegada e lançar agora a Chill Mix 2 com artistas variados que vão desde Alfa Mist até Tommy Guerrero.

Em meio a isso tudo, diversos nomes brasileiros (na minha lista nunca falta!) como Curumim, Mombojó, Almaz e tantos outros mais. Muito hip-hop instrumental, jazz, lounge, neo bossa e dub.

Ficou curioso? Então, aperta logo o play!

Chill mix: de Badbadnotgood à João Gilberto

Dando continuidade às produções musicais acabo de selecionar, editar e compilar mais uma mix nova no meu perfil no Mixcloud. A Chill Mix vem trazendo o melhor do acid jazz, hip-hop instrumental, dub e bossa nova indo de Badbadnotgood até João Gilberto.

Se você gosta de conhecer sons novos ou já curte essas variedades aperta o play e tenha mais de meia hora de música da melhor qualidade chegando aos seus ouvidos!

Beat novo: nos embalos de um sábado à noite

Os momentos de tédio criativo costumam ser de fato os mais propícios para criações musicais e nada melhor que desenvolver um beat novo nos embalos de um sábado à noite tranquilão em casa.

No meio desse processo, acabei relembrando o beat ao vivo que fiz na abertura do meu show no Na Tora na Instituto de Geociências da UFMG e resolvi deixar gravado para a posteridade haha…

Então, vida longa à música e por mais beats novos embalados em um sábado à noite!

Disco de estreia da MRC está no ar!

O EP de estreia da banda irlandesa MRC, a qual eu participei como baterista, compositor, co-produtor e rimador está no ar! Ótima pedida para quem gosta de rock, soul, rap, jazz e música brasileira… super-hit-combo-sonoro!

Sem mais delongas, aperta o play e voa!

As usual Tyler, the Creator overtake critics and fans by “playing” with the possibility of being gay in new album

For those who follow the music work of Tyler, the Creator since the beginning, it is known that he came up as a supposed homophobic and misogynist artist, at least for critics. Me, personally, I never totally bit this regarding Odd Future always counted with two bi/homosexual members Syd, The Kid and Frank Ocean.

In his new album “Scum Fuck Flower Boy” to be released on July 21, he now suggests in several lyrics that he might be actually gay. These suppositions came from songs as in “I Ain’t Got Time” with verses as “Next line I will have ’em like ‘Woah’ / I’ve kissing white boys since 2004” and “Garden Shed” wherein he narrates the process of discovering his homosexuality (actually, he already twitted about it stating we all took it wrong).

If we consider the troll spirit of Tyler, the Creator and his great marketing savvy, there is a huge possibility of this whole story being more a defiance to the status quo and hip-hop macho stereotypes than an actual confession. This possibility, which I think is the most probable, makes him the first straight artist to write diverse songs as if he was homosexual.

Regarding these points we have to go back to his early career to understand better his complex mind-set in order to make a fair analysis of these rumors.

1. From his supposed homophobia to his supposed homosexuality

First off, we have to considerate the everlasting dual relation between race and sexuality in popular music and culture but mainly in Tyler, the Creator music work.

Since his early career he declared his preference for white women and close attention to his wide white audience, obviously always in an ironical and sarcastic tone as in “Golden”, “French” or “Garbage“, for example.

Not by chance, Frantz Fanon, one of the most vibrant intellectuals from the 20th century is the main reference for my PhD research on Tyler, the Creator music work. His seminal book Black Skin, White Masks (1952) perfectly suits to discuss Tyler’s productions today.

The title of the book already tells everything if we take Tyler music videos as “Buffalo” or “Who Dat Boy”, wherein he is actually all painted in white and sews a white mask on his own face.

When Tyler released his second album Goblin (2011), diverse news called the attention to the overuse of the word faggot that appeared 213 times on the record. By that time, the Creator used to say that it was funny how people get bothered with some expressions as it and “nigga”, which for him are “just words” that are took as offensive according with the context.

This same type of justification was applied to his rape fantasies lyrics present in his two first albums. According to him, those lyrics were “just art” inspired in the “mind of a white middle-aged serial killer”. Another important argument that Tyler defended is that while was happening a war in the streets of USA people were worried about his fictional lyrics.

Maybe it was so easy for me to like Tyler’s music since the beginning due to the fact I am not a native English speaker. It was natural for me to focus only in his amazing music production.

However the most important thing is that he overcame all this previous negativity since his third Wolf (2013), when he achieved financial stability and started to be softer in his lyrics and attitude which included the open support to gay community with his Golf Pride marketing campaign.

Genius released a timeline of Tyler´s sexuality in a 4-minute video that can help you to understand it better as well.

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2. Why does it matter if Tyler, the Creator is gay?

When rumours started I have to admit I was perplexed. Even considering his softer and more supportive persona in Wolf (2013) it sounded as a big surprise for me.

Anyway, I began to digest better these suppositions  when I commenced to connect it with the analyses that I am developing on my PhD. In my scholar research I approach his music work through three different bias: web culture, skateboard culture and hip-hop culture.

By now is very clear that web culture and youth urban culture are strongly encompassed by marketing. Regarding this triangulation between these features I might say that the heretic and trolling spirit of Tyler, the Creator might be considered before stating he is this or that, as I have been seeing on some sensationalist blogs.

However, it is not important if he is actually gay or not but the main interesting thing on all this talking is the defiance, strategies and reflections that he proposes to fans, critics and hip-hop culture when he “plays” on the possibility of being gay.

3. Scum Fuck Flower Boy is such an album!

Well, by now we must agree on the irrelevance of one’s sexual orientation to move forward and discuss what we can expect from his new album in terms of music production.

It is not hard to find many leaks on the internet or even listen to some tunes in his YouTube channel. However, based on everything that I listened until now, including his video “Who Dat Boy”, I might say “Where Flower Blooms” and “Ain’t Got Time” is my preferred one – and I am not trying to go back to the discussion on Tyler’s sexuality.

For this reason, once again, it is very clear that whole point of this debate is not to discover his “secret” or check the truthiness of his confessions but to reflect on why it seems to be so “shocking” when a rapper supposedly come out of the closet. Are not we being homophobic for being so surprised about this news?

So what is your opinion on all this apparent “controversy”? Do you agree with the thoughts I presented on this article? Leave your comment!

Mais uma vez Tyler, the Creator surpreende em novo álbum e “brinca” com a possibilidade de ser gay

Quem conhece e acompanha o trabalho de Tyler, the Creator desde o início sabe que ele surgiu como um rapper, produtor e diretor de vídeos que foi considerado extremamente homofóbico e misógino, ainda que seu coletivo Odd Future contasse com dois membros homossexuais como Syd, Tha Kid e Frank Ocean.

Em seu novo álbum “Scum Fuck Flower Boy” lançado em 21 de julho, ele sugere em uma série de letras de que na verdade é gay, como em “I Ain’t Got Time” com frases do tipo “I’ve kissing white boys since 2004” e a música “Garden Shed” na qual ele narra a experiência de autodescoberta como homossexual (na qual logo em seguida deixou claro pelo twitter que não é bem assim). Isso me faz pensar que ele deve ser o único ou um dos primeiros artistas heterossexuais a escrever letras com um eu-lírico homossexual em um disco de rap.

Considerando o espírito troll de Tyler, the Creator e sua grande habilidade para o marketing, existe a possibilidade de tudo isso ser mais uma provocação ao status quo e ao próprio meio masculinizado do rap e do hip-hop do que necessariamente uma declaração sobre a própria sexualidade.

Por isso, para entender a complexidade da produção artística de Tyler vamos ter que voltar um pouco tempo e fazer um trajeto de como chegou até aqui. Confira!

1.  Da suposta homofobia à suposta homossexualidade

Primeiro, é necessário entender a relação dual entre raça e sexualidade no trabalho de Tyler, the Creator. Em seus discos anteriores que seguiam a lógica heteronormativa, sempre direcionou o seu desejo para mulheres brancas além de um olhar atento à grande porção de fãs brancos que frequentam seus shows ao redor mundo. Tudo isso sempre em tom provocativo e de sarcasmo, como pode ser checado na música “Golden“, por exemplo.

Quem quiser entender esse ponto mais a fundo, sugiro ler meu artigo sobre a produção de Tyler em relação ao intelectual Frantz Fanon que discutiu a fundo essa relação entre raça e sexualidade, além de vários outros pontos em seu livro Pele Negra, Máscaras Brancas (1952).

Na época de seu segundo disco Goblin (2011), diversas matérias jornalísticas chamaram a atenção para o uso excessivo da palavra faggot (viado) que aparece “213 vezes” no disco. Naquela época, Tyler dizia que achava engraçado as pessoas se incomodarem com expressões como essa e também “nigga”, que para ele são apenas palavras tomadas como ofensivas de acordo com o contexto.

A mesma justificativa foram dadas para suas letras de fantasia de estupro presentes em seus dois primeiros discos. Segundo ele, eram “apenas arte” baseadas na “mente de um serial killer branco de meia idade“. Outro argumento era de que enquanto uma guerra acontecia nas ruas dos grandes urbanos estadunidenses as pessoas estavam preocupadas com letras fictícias. Em outro post meu tem a postagem dos vídeos onde ele explica isso.

Eu, particularmente, só consigo escutar as músicas dessa fase de Tyler talvez pelo inglês não ser minha língua nativa fazendo com que eu não percebesse esse discurso ultrajante em um primeiro momento. Fora isso, o seu talento para a produção musical é realmente fora de série, sendo difícil não chamar a atenção por esse aspecto.

Foi apenas a partir do seu disco Wolf (2013), quando atingiu estabilidade financeira com o sucesso comercial de sua carreira que começou a sofisticar o discurso, tornando-se apoiador da causa gay e interromper as letras misóginas.

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2. Por que importa se Tyler, the Creator é de fato gay?

Quando começaram a correr os rumores de que Tyler, the Creator estava “saindo do armário” em seu novo disco confesso que duvidei em um primeiro momento. Mesmo considerando que desde o seu terceiro disco Wolf (2013) ele passou a assumir uma postura mais positiva e menos controversa apoiando a causa do orgulho gay e “relativizando” suas letras passadas de misoginia.

Porém, depois de alguns dias comecei a digerir melhor essa notícias e pensar nas próprias que tenho feito sobre o trabalho de Tyler em minha pesquisa de doutorado, na qual abordo o trabalho de Tyler em relação à cultura de internet e a cultura urbana, sobretudo o skateboard.

Quando falamos em culturas contemporâneas não podemos esquecer do marketing intrínseco a elas e aí me lembrei que tudo isso pode ser uma jogada de Tyler, the Creator com a crítica, os fãs e o próprio hip-hop, o qual ele sempre gostou de desafiar os limites e propor contranarrativas ao discurso vigente de uma masculinidade cada vez mais posta em cheque sobretudo pela agenda feminista.

Por isso, no fim das contas, pouco importa quem ele é de fato,  mas sim a provocação e a reflexão gerada por essa atitude de se colocar de uma forma que nenhum outro artista de seu gênero havia feito anteriormente, abrindo novas possibilidades nesse meio.

3. Scum Fuck Flower Boy é um discaço

Bom, agora que estamos resolvidos sobre a irrelevância do fato e mais interessados nas reflexões que pode gerar, vou comentar um pouco sobre o que ouvi até agora do novo disco de Tyler de acordo com o que ele já liberou no canal do YouTube.

De todas as faixas disponíveis, incluindo o videoclipe de “Who Dat Boy”, posso dizer com naturalidade e sem querer retornar à questão de sua suposta homossexualidade de que “I Ain’t Got Time”, justamente a música que gerou os rumores, me pareceu a melhor de todas até agora 🙂

Por isso tudo, mais uma vez, fica claro para mim que o que ele realmente quer é que a gente reflita e desconstrua preconceitos assumidos ou não em torno de questões como gênero, raça e da própria ideia que se é feita sobre artistas de rap e hip-hop.

E aí, você ouviu o disco e as notícias que saíram? Qual sua opinião sobre o assunto? Comente aqui para gente poder trocar uma idéia 😉

 

 

 

 

DJ set com muito dub, trip-hop & brasilidades no Café Com Letras

Salve, esse sábado às 21 horas toco meu DJ set com muito dub, trip-hop e música brasileira no Café com Letras.

Podem ter certeza que não vão faltar clássicos como Portishead, Nação Zumbi e Lee Perry, só para citar alguns exemplos de peso.

Brasilidades diversas como manguebit, neo-bossa e gêneros diversos também estarão presentes. Simbora!

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“No Grave do Groove” no Dia Mundial do Skate #GoSkateDay

Hoje é o Dia Mundial do Skate, comumente conhecido como #GoSkateDay… dia dar AQUELE ROLÊ nas ruas da cidade. Nessa data mais que especial, nada melhor que lembrar do videoclipe de “No Grave do Groove”… já são 2 anos desse lindo trabalho!

Um salve aos skatistas Daniel Palma, Iguana, Helder Araujo, Erico Hilbert e todos amigxs que compareceram na gravação desse videoclipe. Satisfação relembrar essa realização! Som nas caixa, DJ!

E BORA SKATEAR!

 

 

Próximo show: Vocal, samples e intervenções no IGC/UFMG #NaTora

Somando na resistência e na ocupação dos espaços, próxima quinta-feira dia 22/06, estarei no IGC/UFMG, apresentando meu show em formato digital no Na Tora.

Pra quem não conhece, o Na Tora é uma movimentação cultural que começou a muitos anos atrás nos arredores do bambuzal da UFMG e que segue firme atualmente no estacionamento do IGC, organizada pelos próprios estudantes de forma totalmente independentemente.

Apoio totalmente a causa por entender que o espaço da universidade não se deve se resumir às paredes das salas de aulas. E é bom que movimentos desse tipo atraíam pessoas de fora da universidade para frequentar o espaço que é público e de todos.

Diversos nomes de peso da cena autoral já passaram por lá como Pernalonga de Pernambuco e os conterrâneos do TremBemDitos que fizeram um showzasso de rock por lá.

Apresentarei o show sozinho, fazendo uso de samples, escaleta, voz e beats diversos. Aproveite e escute meu último lançamento que veio bem nessa pegada eletrônica com cara orgânica… NÃO PERCA!!!

Conheça releitura de “O Fogo Anda Comigo/Prato de Flores” da Nação Zumbi

Após lançar em 2015, a releitura de “Hoje, Amanhã e Depois” que foi compartilhada pela própria Nação Zumbi nas redes sociais, Gusmão agora retorna com a releitura mashup de “O Fogo Anda Comigo” misturada à “Prato de Flores“.

A roupagem dub, trip-hop e bem percussiva para essas duas grandes canções dos mestres de Pernambuco irá agradar aos ouvidos mais ousados.

O áudio já se encontra no canal do YouTube, mas você pode ouví-lo em alta qualidade no SoundClound. Confira!

 

 

Ableton Live, beats e novidades no formato de show

Hi, my friends… there it goes a little experiment with Ableton Live I did last nite! 😉

Recentemente, comecei a aprender a usar as ferramentas do Ableton Live e agradeço ao amigo e produtor musical Gui Dub que me recebeu em sua casa para que pudesse aprender as primeiras técnicas.

Ontem a noite, resolvi ligar os equipamentos para praticar um pouco e dessa “brincadeira” acabei fazendo um beat de improviso no Live. Desde 2015 que eu tenho feito shows sozinho no formato “banda de um homem só” e certamente esse novo aprendizado vai contribuir para um melhor resultado ao vivo.

Então, sem mais delongas… confiram aí meu primeiro experimento com o Live!

Missão nobre: Hip-hop na APAC Santa Luzia

Missão nobre hoje ao visitar a Apac Santa Luzia para ministrar uma oficina de hip-hop no curso de Valorização Humana que os recuperandos desenvolvem por lá.

A APAC é um sistema prisional alternativo no qual os próprios reclusos cuidam do local sem a necessidade de qualquer aparato repressor. Esse sistema foi criado no Brasil nos anos 1970 e ja é imitado no mundo todo. Seria muito bom se iniciativas como essa fossem a ordem do dia ao contrário do sistema prisional tradicional que parece piorar o problema.

Nessas horas, o conceito de que o conhecimento é o quinto elemento da cultura hip-hop: formada pelo DJ, MC, a dança break e as artes visuais do graffiti, se torna um fato claro e vívido. Sem falar que a troca de experiência com os recuperandos foi um grande aprendizado para mim também. Salve!

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Feriado, Serra do Cipó e freestyle na rocha que mais parece um xilofone

Fujam para as montanhas!
Não, não é a guerra do Trump com a Coréia do Norte nem nenhum motivo para se alarmar… mas nesse feriado eu relembro esse role na Serra do Cipó onde juntamente com amigas e amigos nós acabamos encontrando essa pedra rochosa que mais parece um xilofone… RÁ!
Aproveitei a chance e mandei um freestyle macarrone ali na brincadeira… Não acredita?! Então, aperta o play e confere aí!

Bom descanso a todas e todos!

FINALMENTE! “No Grave do Groove” em diversas plataformas streaming

Essa semana recebi a confirmação de que agora todo o meu disco de estreia “No Grave do Groove” (2015) está disponível em mais de 12 lojas virtuais como Spotify, Deezer, FreshTunes, Google Play e tantas outras mais. Essa era uma questão que eu estava para resolver a um longo tempo e agora está mais que resolvida 🙂

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Foto por Marco Aurelio Prates

Essa é a hora de chegar junto na plataforma de sua preferência e curtir os meus graves do groove! Pra ouvir em casa, no celular, em qualquer lugar… e daqui em diante vou manter sempre atualizado minhas músicas nessas lojas virtuais para vocês não perderem nada. Basta buscar por meu nome e apertar o play… Simbora!

Confira sessão de fotos em Dublin por Jey Andie

Abrir o ano com foto velha é osso, né não?! Então, antes de deixar a Irlanda no final do 2016, juntei com minha amiga fotógrafa Jey Andie. Ela é fotógrafa e conterrânea de BH, dois fatores bastante favoráveis para que produzissemos esse material de primeira. Confira!

Unindo o útil ao agradável em Dublin

A escolha do local para fazer esse belíssimo trabalho pelas ruas de Dublin foram as redondezas do Newmarket Square, feira aonde fiz meu segundo e último show no evento Fusion Sundays antes de retornar ao Brasil.

O clima estável, sem chuva e não tão frio como de costume, ajudou bastante para que pudéssemos trabalhar com segurança e tranquilidade. Acho que esse contexto favorável se reflete na qualidade das fotos e a forma como ficamos à vontade para explorar as ruas de Dublin.

Vale dizer que é irônico que BH esteja a capital mais fria do Brasil em 2017. Acho que acabei trazendo o frio comigo nesse retorno, haha…

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Com ideias simples e criatividade exploramos o ambiente urbano daquela regiao de Dublin

Traduzindo meu som em imagens

Como fizemos tudo na camaradagem e sem qualquer grande investimento, usamos simplesmente nossa criatividade e vontade de fazer acontecer.

Usando alguns dos meus equipamentos de show como microfone, headphones e escaleta fomos andando pelas ruas do bairro e fazendo o registro de algumas quebradinhas que considerávamos legais.

Afinal, todos os gêneros musicais pelo o qual meu trabalho transita passa pela música urbana como o rock, dub, rap e a música brasileira – daí o uso de cores e contrastes mesmo na cinzenta Europa, o que se reflete na minha palidez já que por lá o nosso grande amigo sol é raridade, rsrs.

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O trabalho final nas redes sociais

No total, são 20 fotos finalizadas e editadas pela Jey Andie que vão ser usadas aos poucos durante o ano de 2017. Pela qualidade das fotos, posso dizer que vai levar um tempinho pra “gastar” todas, rsrs.

Algumas já estão liberadas sendo utilizadas nas minhas redes sociais YouTubeFacebook, Instagram, Soundcloud, Mixcloud, Twitter e retratam bem o espírito urbano do meu trabalho musical e desse ensaio fotográfico.

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E aí, curtiu as fotos nas ruas de Dublin? Também gosta de música urbana? Deixe seu comentário pra gente saber o que você achou disso tudo! 😉 Um grande abraço a tod@s.

Voltando ao Brasa com classe juntando reggae, manguebit e MPB no Incanto Bar & Bistrô

Após um ano inteiro direto na Irlanda, onde iniciei meu doutorado em música volto ao Brasil ainda tentando me encaixar e entender toda a insanidade política, alimentar (cuidado com o papelão) e económica que estamos vivendo.

Sem tempo pra chororô, sigo firme e faço meu primeiro show nesse meu retorno no Incanto Bar & Bistrô, aqui na terrinha BH no bairro Sagrada Família. Lugar super aconchegante com uma feijoada de primeiríssima servida aos domingos.

Vale ainda dizer que quem me acompanha nesse show é o percussionista Corisco, líder de diversos blocos de maracatu em BH. Deixo aqui o link do evento no Facebook para ninguém esquecer e dizer que não avisei…

Então, simbora curtir um repertório recheado de reggae, manguebit, forro, samba-rock, bossa nova e música brasileira de uma forma geral! 😉 Eita, nois!!!

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Conheça um pouco mais sobre a MRC, minha banda na Irlanda

MRC – sigla para Mountainous Riff Club – é a minha banda de pop, soul, rock e rap formada em Cork, onde iniciei meu doutorado sobre o trabalho musical de Tyler, The Creator na University College Cork. Além de fundirmos esses estilos amplamente conhecidos tambem incluimos ritmos brasileiros como xote, baião e maracatu em nossas musicas bem como o “fiddle”, violino típico usado na música tradicional irlandesa.

A banda se formou rapidamente no segundo semestre de 2016 quando recebemos a demanda de gravar um video promocional para um festival em Sligo na Irlanda. Compomos e produzimos o single “Find My Way” em questão de poucas semanas e partimos para uma viagem de carro rumo ao norte que foi simplesmente maravilhosa.

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Depois disso, decidimos seguir em frente e produzir um EP de 4 músicas, novamente sem muita frescura e aproveitando ao máximo o pouco tempo que tínhamos devido ao meu retorno ao Brasil no fim do ano. Assim que o vídeo de “Find My Way” foi lançado pelo site do festival que vamos tocar em 2017 fomos capa de uma seção do jornal Western People.

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Toda essa abertura de caminhos me trouxe vários insights sobre essa empreitada de ficar longe das pessoas que eu mais amo para tentar uma nova oportunidade pessoal e profissional. Coincidemente ou não, a música que fecha meu disco de estréia se chama “Wingz“e fala sobre buscar um lugar ao sol em meio ao caos.

Gravar um videoclipe dentro de um avião nunca esteve em meus horizontes e esse fato acabou se relacionando com a temática de “Wingz” sendo uma forma interessante de encarar tudo isso que se passou. Sem mais delongas… segue o videoclipe gravado dentro de um avião (!!!) um ótimo início para uma trajetória que acabou de começar 🙂

Uma ode a The Mars Volta e a mística brasileira

Em 2010, fui numa excursão de busão com meu broda Helder Araújo – que gravou a guitarra de “Macumblueska” e aparece no videoclipe – para assistir Rage Against The Machine no SWU.

O dia caminhou muito bem, assistimos vários shows fodas como Infectious Groove, Curumin e outras atrações interessantes que passaram por lá antes do show final da noite que era o do Rage.

Porem, a banda anterior ao RATM era ninguém menos que The Mars Volta, um grupo que, sinceramente, eu não via com bons olhos antes de conhecê-los ao vivo. Porém, foi so a primeira música “Cotopaxi” comecar que minha opinião mudou completamente e voltei de lá me tornando fa n. 1 da banda.

O clima afro da produção musical de “Macumblueska” deu o tom certo para que ligassemos as conexões latinas do The Mars Volta com referências a práticas de Umbanda que colocamos no videoclipe.

O resultado final ficou algo bem brazuca e latino mesmo sendo cantado em inglês, o que também não deixa de ser mais uma referência ao universo criado pelo The Mars Volta em suas músicas, imagens, entrevistas, etc.

Entao, sem mais delongas… o videoclipe de “Out of this Bound (Macumblueska)”!

Quem foi Frantz Fanon e como isso tem a ver com o trabalho musical de Tyler, the Creator e hip-hop em geral?

Antes de entender essa complexa relação entre um dos maiores intelectuais e psicanalistas do mundo com o trabalho de Tyler, the Creator é preciso abordar uma coisa por vez.

Por isso, vou começar explicando quem foi Frantz Fanon e em seguida explicar como as reflexões dele feitas há mais 60 anos se refletem diretamente no trabalho de Tyler, the Creator. Confira!

Quem foi Frantz Fanon?

Frantz Fanon (1925-1961), segue sendo um dos maiores intelectuais pós-colonialistas da humanidade e tem sido a maior referência em meu doutorado sobre o trabalho musical de Tyler, the Creator pela University College Cork, Irlanda. Nesse post, não vou abordar tanto a música em si que é o meu real foco mas sim o gigantesco aspecto social que ela envolve.

E o que é póscolonialismo, você pode estar se perguntando? É o estudo dos efeitos que a colonização teve sob os países colonizados e de como esses paises tem se organizado desde então. No Brasil, por exemplo, poderíamos destacar os diversos problemas sociais iniciados desde a chegada dos portugueses e suas consequências como o  racismo e a desigualdade social que seguem persistentes até hoje.

Como um brilhante psiquiatra, filósofo e ensaísta, Fanon, sendo negro e tendo nascido na ilha de Martinica no Caribe, ex-colônia francesa, soube retratar de maneira extremamente realista e contundente as diversas formas de opressão racial engedrada pelo sistema que acarretam traumas não só físicos mas sobretudo psíquicos ao povo negro.

Além do mais, mostrou também as amarras neuróticas do homem branco ao seu mito de superioridade e como isso limita a superação do racismo e da opressão em um contexto colonial. Fanon fala de como isso gera ou reforça “os mitos de narcisismo da cultura negra ou da supremacia cultural branca” que alimenta toda essa confusão social de ambos os lados.

Quando viveu na França, como médico psiquiatra, escreveu um seus mais respeitados livros: Pele Negra, Máscaras Brancas de 1952 e que ainda segue extremamente atual e está disponível gratuitamente em PDF na internet: leia, independentemente da sua cor… leia!

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Como aplicar Fanon ao hip-hop e Tyler, the Creator?

Fanon aponta que essas diferentes formas de opressão (física, moral, econômica e social) ao povo negro engedra não só invisibilidade mas também alienação e dissociação, fazendo com que prevaleçam os moldes comportamentais e de representação da hegemonia branca. E é justamente aí, em meio a esses dilemas que acabei fazendo uma ligação com o trabalho musical de Tyler, the Creator em minha pesquisa de doutorado sobre ele.

Talvez muitos não saibam, mas no início de sua carreira Tyler, the Creator afirmou que seu alter-ego/personagem Wolf Hailey era não só a válvula de escape para seus pensamentos mais obscuros – como as bizarras fantasias de estupro contidas em algumas letras de seus dois primeiros albuns – como tambem “aquele cara ruivo legal” que se ele pudesse escolher, ele seria.

Essa declaração esta contida aos 3:00 dessa entrevista de 2011, onde ele explica que esse poderia ter sido seu verdadeiro nome já que seu sobrenome Okonma veio de seu pai nigeriano que abandonou a família quando ele ainda era criança (essa informação eu sei por acompanhar o trabalho musical dele e suas letras confessionais).

O dilema racial no trabalho de Tyler, the Creator

O tempo passou, e o trabalho de Tyler, The Creator amadureceu. As letras homofóbicas e misóginas deixaram de acontecer para dar lugar a ações como a Golf Pride, onde Tyler afirma abertamente seu apoio ao orgulho gay. Todavia, os conflitos psicológicos e dilemas raciais continuaram presentes mas de forma mais madura e propositiva.

Considerando o fato de que ele é um rapper com um grande numero de fãs brancos ao redor do mundo, é natural que essa questão aparecesse de uma forma ou de outra em seu trabalho.

O interessante é que desde o início de sua carreira ele soube utilizar muito bem disso brincando, jogando, satirizando e desconstruindo noções pré-estabelecidas do que é ser negro e também, consequentemente, do que é ser branco, afinal, quem inventou essa diferença foi o próprio sistema e sua hegemonia racial branca.

Em um de seus videoclipes, “Buffalo”, Tyler faz várias referências a questão racial no Estados Unidos de uma maneira extremamente sagaz e provocativa: primeiro ele aparece pintado de branco como uma inversão da “black face“. uma prática racista muito comum no EUA entre o sec. XIX e XX, onde atores brancos se pintavam de negro para performances teatrais e musicais extremamente caricatas e estereotipadas.

Depois, Tyler é perseguido por um grupo de negros, o que também faz referência, de forma sátira, aos grupos de linchamento que perseguiam negros e os enforcavam em árvores para o mero divertimento de familias brancas em dia de piquenique.

Ao final, quando o videoclipe de “Buffalo” alterna para “Find Your Wings”, vemos Tyler satirizando também noções raciais estereotipadas, tirando uma onda com shows de televisão negra dos anos 1970 – fenômeno conhecido como Black Television.

Retomando a viagem de Tyler com Wolf Hailey, vemos que ate o fato de ele ter projetado as suas fantasias mais bizarras como se ele fosse um cara branco/ruivo, demonstra sua perspicácia em denunciar os efeitos nocivos  que essa hegemonia branca pode ter sobre pessoas negras.

Não suficientemente, em outro vídeo mais recente chamado “Who Dat Boy” do disco Scum Fuck Flower Boy (2017), álbum no qual ele joga com a possibilidade de ser gay, ele aparece novamente com a máscara branca, dessa vez, literalmente costurada sobre o seu rosto.

O clipe e a música contam com a participação do rapper A$AP Rocky e tanto no início do vídeo, no qual se vê um pôster do Leonardo DiCaprio na parede, quanto o final (olha o spoiler! rs) quando ele foge com um garoto branco em seu carro sendo perseguido pela LAPD (polícia de Los Angeles), Tyler reafirma esse caráter subversivo ou mesmo herético de suas produções quando o assunto é gênero e raça.

Não é de hoje que ele tem se esforçado para quebrar paradigmas ou ao menos construir uma contranarrativa ao discurso vigente no rap e hip-hop comumente associado a uma postura machista ou masculinizada.

Mesmo quando ele próprio endossava esse machismo em seus primeiros discos, foi capaz de provocar os entrevistadores quando relatavam a misoginia presente nesses trabalhos anteriores.

Conforme ele mesmo disse em outra entrevista – provavelmente para “alfinetar” o entrevistador – sobre a misoginia de suas primeiras letras: “Aquilo é ficção, baseada em histórias reais de serial killers brancos de meia idade“. Segue abaixo o link:

 

When Brazil, Tyler, The Creator and Ireland are somehow connected

Once again, with the best of my Do It Yourself spirit I released one more new music video with the help of my photographer friend Jey Andie, an amazing person from my hometown Belo Horizonte whom also lives in Ireland.

When I composed and produced this rap song mixing Brazilian Portuguese with English I’d never imagined that one day I would be living abroad to hold a PhD research on the music work of Tyler, The Creator, attending to his concert in July and meeting a friend from my hometown which is a photographer and now a video maker… all this context gave a special meaning to this music video for being shot outside Brasil. Check it out!

Mais uma vez, com uma câmera na mão e muitas ideias na cabeça realizei o lançamento de um novo videoclipe. A música em questão é “Wingz”, faixa que encerra meu álbum de estreia “No Grave do Groove” (2015) e que conta com a participação de Hot Apocalypse, um dos cabeças do grupo de rap DV Tribo que tem alcançado voos cada vez mais altos em terras tupiniquins.

Quando compus essa música, não imaginava que um dia estaria fora do país  abordando o trabalho musical do Tyler, The Creator e ou mesmo indo a um show dele que foi uma das maiores inspirações pra produção do beat de “Wingz”.

Tudo isso deu um significado especial para este videoclipe gravado em Dublin com a ajuda da fotógrafa Jey Andie, conterrânea de BH que também mora aqui e que fez esse corre comigo por pura cumplicidade e parceria um dia antes do meu show na feira Fusion Sundays. Confira!

 

Dublin de novo e depois Brasil! #NextGigs

O ano vai chegando ao fim e aquele sentimento de retrospectiva vai tomando o ar (ou seria a mente? rs)…

Muita coisa rolou do lado de ca. Estudei bastante no meu primeiro ano de doutorado, gravei um clipe com uma banda daqui dentro de um aviao e fiz uma analise “cabeluda” do video de “Yonkers” do Tyler, The Creator que eu sinceramente torço para que seja publicado como um artigo academico, vamos ver…

Em dezembro estou de volta ao Brasil por alguns meses e antes toco novamente no Newmarket Square em Dublin no evento Fusion Sundays que acontece no proximo domingo com meu show as 2 horas da tarde. Eu, meus samples, escaleta e instrumentos ja estamos preparados… (dizem ate que vamos gravar o clipe de “Wingz” la, sera?! rsrs)

After an intense year as a PhD music student at University College Cork wherein I am developing my music research on the work of Tyler, The Creator I will be back in Dublin to gig at Newmarket Square in the event Fusion Sundays. My gig is Sunday 13 Oct and starts at 2pm be there to enjoy my rap-dub-rock-Brazilian-thang 😉 14711074_639930462854257_8156099225927353858_o

Samba no parque!

Aí vai o segundo vídeo no Fitzgerald’s Park em Cork, aqui na Irlanda. Naquele esquema bem simples de um celular na mão e muitas ideias na cabeça, parafraseando a célebre frase de Glauber Rocha. Decidi me arriscar na minha canção inédita “Samba de Aprumar” que já estava na gaveta há um bom tempo e já era mais que hora de lançar. Confira!

Novos vídeos no ar: Tamborzão e “Olhos Fechados” [Fitzgerald’s Park, Cork]

Oi amig@s,

estava sentindo falta de atualizar meu canal com novos materiais e decidir lançar dois vídeos de forma bem despretensiosa (e vem um terceiro vídeo ainda, aguardem!). Ando bem ocupado aqui na Irlanda com estudos e trabalho, e tenho tido pouco tempo para praticar meus instrumentos. Entao, um dia desses depois do trampo, eu decidi parar na universidade e tocar um pouco de bateria. Desse momento de descontração, surgiu esse beat de funk tamborzão – gostem ou não, nada mais envolvente que a levada do funk carioca.

O outro vídeo veio da ideia de unir o útil ao agradável – aproveitar o raro sol forte que faz aqui e gravar uma performance minha usando apenas voz e violão. Desse intuito, surgiu esse vídeo de “Olhos Fechados”, usando algumas imagens aleatorias do Fitzgerald’s Park em alguns trechos. Além dessa música, gravei um samba inédito que devo lançar na próxima semana. Fiquem ligados!

 

O que significou estar num show do Tyler, The Creator e Kendrick Lamar?

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A distância e a recompensa

Sair do Brasil para desenvolver uma pesquisa de doutorado sobre o trabalho musical do Tyler, The Creator e em 7 meses já poder estar num show do cara no mesmo dia do Kendrick Lamar foi definitivamente uma grande sorte e um privilégio. Sensação um pouco surreal de sonho realizado e de que o sacrifício de estar um ano direto longe da família fez algum sentido.

Ter “dormido” dentro de um fast-food para esperar o ônibus de volta para Cork também compensou essa realização. O show era em Dublin, capital irlandesa e o ingresso 70 euros, um preço justo mas puxado para quem não estava a turismo, nem muito menos a passeio.

Gostei bastante do que vi, mesmo tendo perdido metade do show devido a um problema técnico numa das pontes do Longitude Festival que ligava o palco principal ao secundário onde Tyler se apresentava.

Esse é o Tyler, the Creator que conhecemos

O espírito enérgico e herético do líder da Odd Future foi comprovado por sua naturalidade e expansividade no palco, assim como a trollagem com os fãs. Quem acompanha o trabalho do Tyler, the Creator sabe a relação dual que ele têm com sua base de fãs majoritariamente formada por pessoas brancas. Letras como “Golden” e videoclipes como “Buffalo” ou “Who Dat Boy” mostram muito bem isso.

No show, não poupou frases de orgulho como “Eu amo todo meu povo negro”, “um salve as pessoas negras que estão na plateia”, “foda-se os brancos”. Porém, estávamos na Irlanda, um país de população ruiva e não era novidade para ele que, mais uma vez, encontraria esse público em seu show.

Havia um telão no fundo do palco com imagens aparentemente desconexas e em uma das músicas apresentadas – “Tamale”, se não me engano – havia uma cena de dois adolescentes brancos se beijando. Como ultimamente Tyler tem se declarado abertamente apoiador do orgulho gay, penso que essas imagens serviram como mais uma trollagem ao machismo e orgulho masculino dos fãs de hip-hop mais conservadores.

Todavia, grande parte do público presente não ia além dos vinte anos e eram todos bem amáveis, se abraçando no mosh e dizendo eu te amo uns aos outros: eu fui “vitima” desse clima meloso.

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Conspirações do universo, Brasil e EUA no Festival

Na longa e demorada fila do caixa do banco que tinha dentro do festival onde muitos furavam fila e um molequinhos irlandeses tentavam me provocar para briga (risos), tive a alegria de conhecer Simone, uma estadunidense que morou no Brasil quando estudava administração na FGV em São Paulo e tem como lugar preferido da nossa terra a Bahia.

Trocamos muita ideia e ela pôde me mostrar um pouco da perspectiva dela enquanto mulher e negra sobre como as pessoas de seu país entendem o trabalho de Tyler, The Creator e Kendrick Lamar. Foi uma coincidência e tanto para um brasileiro que estava na Irlanda estudando com um professor estadunidense e que encontra uma conterrânea dos artistas em questão na fila do caixa.

Quando comentei sobre as letras mais antigas do Tyler que envolvem homofobia e coisas absurdas como fantasias de estupro, o comentário dela foi “eu acho que ele não quer dizer grande parte das coisas que ele fala” e concordamos que muitas provocações dele são mais para bater de frente com o “politicamente correto” do que qualquer outra coisa.

Basta pensarmos que a Odd Future sempre contou com dois membros homossexuais dentro do grupo, o Frank Ocean e a Syd Tha Kid, e que surgiram rumores de que Tyler é gay com o lançamento de seu disco “Scum Fuck Flower Boy” (2017), onde ele afirma que beija garotos brancos desde 2004 y otras cositas más. Considerando tudo isso, seria um pouco estranho que ele realmente quisesse dizer o que cantava naquela época.

Conversamos sobre seu último clipe “Buffalo” onde ele aparece de white face – e agora penso que em “Tamale” também – uma subversão da black face racista muito em voga nos EUA no século XIX. Triste saber o Brasil não foge à regra já por aqui tem gente que sai no carnaval fantasiado de doméstica com a cara pintada de preto e acha que isso é engraçada ou “normal”.

Depois de alguns minutos de boas ideias acabamos nos perdendo no festival e quem me lembrou do show do Tyler foi minha amiga Rafaela, que é  brasileira e seu namorado Bruno, que me alertaram que já tava na hora do show do Creator (no verão faz sol até 9 horas da noite, então, eu tava panguando achando que ainda era cedo).

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Kendrick Lamar para fechar com chave de ouro

Depois de curtir a meia-hora restante do show do Tyler, retomamos o fôlego e corremos para o palco principal aonde a impecável banda de apoio de Kendrick abria a apresentação com um instrumental de Stevie Wonder.

Um grande telão estático durante todo o show exibia uma frase de George Clinton, fundador e frontman do Parliament Funkadelic: “Olhe ambas os lados antes de atravessar minha mente”. Frase sugestiva se pensarmos que várias músicas de Kendrick contam com solos de guitarra e influência de rock, um pouco do jeito que o Parliament Funkadelic fazia com seu funk psicodélico.

Fora isso, as próprias letras voltadas para o gueto estadunidense ultrapassaram barreiras classistas, o que reafirma mais uma vez a capacidade de Kendrick de transitar por “ambos os lados” da questão.

O papel de Lamar como porta-voz de uma geração negra estadunidense que tem lutado diariamente para não ser assassinada pela brutalidade policial e racismo institucional também fica claro no seu desejo de levar sua mensagem para ambos os lados na luta racial, não muito diferente do Brasil e o genocídio da juventude negra.

Como já era de se esperar, o grande nome de Compton fez um show perfeito, super profissional, sem falhas e sem deixar a energia cair. Porém, a gente sentia que algo faltava no ar e o comentário de Rafaela, que é negra, foi pertinente quando pontuou: “Achei ele um pouco desanimado, talvez por estar cantando músicas de temática racial para um público quase que totalmente branco”.

De fato, andando pelo festival éramos uma minoria, digo éramos, porque mesmo sendo branco no Brasil passo longe do padrão étnico daqui. Até fizemos uma piada com isso quando víamos jovens bebados fazendo alguma besteira. “Tem uns nego muito doido aí… aliás, nego nada, branco mermo!”

Me fez também pensar no vício no Brasil de usar a expressão “nego” como um adjetivo genérico, sem considerar o contexto em que estamos. Enfim, um dia de muitas percepções que merecem ser compartilhadas por aqui. Vamo que vamo!

 

 

The Real Hip-Hop: From Project Blowed to Duelo de MCs

               I am just in my first months of my PhD on Tyler, The Creator and post-gangsta rap but one of the best books I read until now is certainly The Real HipHop: Battling for Knowledge, Power, and Respect in the LA Underground written by  Marcyliena Morgan (coincidently or not, another black woman that is a brilliant scholar as Tricia Rose with her book Black Noise: Rap Music and Black Culture in Contemporary America). Morgan’s book talks about Project Blowed, one of the most renowned and respected rap battles in mid-1990s in Los Angeles, which took my mind and soul to Duelo de MCs, an important street rap battle that happens in my hometown Belo Horizonte city since 2007 and now is one of the most important events in Brazil. Between 2011-2013, it was also the subject of my master degree: O Som Que Vem Das Ruas: Cultura Hip-Hop e Musica Rap no Duelo de MCs (The Sound That Come From The Streets: Hip-Hop Culture and Rap Music in MCs Duel).

          This book caught my attention for its different approach for a hip-hop scholar research: Morgan seemed to me as an insider or something close to it. Better than that, she posits herself as part of hip-hop culture, with commitment and no fear of being judged for that, which is not so common in the scholar environment – wherein some researchers try not to be involved with the “object” of study. At the same time that she engages with hip-hop, she does not lose her critical ground what makes her work even better. During my reading I realized that I was trying to do the same in my masters – even knowing that by that time I was not prepared for such achievement.

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A happy night for me: For the only and first time, I joined the battle and won until be beaten in the semi-finals. Then I came back as an artist to perform my music work at the “Sacred Temple of Hip-Hop” under the Viaduto de Santa Tereza’s overpass (Duelo’s location).

                  Another aspect of Project Blowed that reminded me Duelo de MCs is the great artists present in that venue as Jurassic 5, Aceyalone, Busdriver and so on. In the Duelo, is not different, since many revelations of local and national scene started there as Douglas Din and Clara Lima – a youngster female MC that beats everybody besides holding a great artistic work as solo rapper and part of DV (Deuses Vivos) rap collective, as well.

                 With an exceptional ethnographic work – describing people, places and the abusive LAPD –  Marcyliena Morgan, shows us that the underground hip-hop with its battles, is the right site that artists have to improve their arts, philosophy, behaviour and hip-hop culture itself. All the divergent forces of hip-hop: misogyny and pheminism (as spelled by Morgan to emphasis a hip-hop approach to that) or consumerism and collectivism, are not destructive impulses but rather, dialectics forces dealing with each other between non-permanent solutions.  Most of her statements around those observations are applicable to Duelo’s reality and that common social struggle that hip-hop events share in different parts of the world – from a Latin American metropolis as Belo Horizonte to LA’s ghettos – which reminded me Bambaata’s statement on hip-hop being an universal force and movement and his determinations on Zulu Nation (yes, I am also shocked with rumors of Bambaataa’s involvement with pedophilia). Now, in my PhD, Morgan’s book will certainly work as a reference for my research and writing. All this studying on hip-hop, helps me to see clearly why I get involved with Julgamento rap band as a drummer in my hometown from 2007 to 2014, when I left the band to focus on my solo career (which is also very related to hip-hop).

See ya in a next post and feel free to share and comment!

Confira longa materia sobre meu trabalho musical no canal Cork For Two na Irlanda

Salve, salve, gente do Ben… quem estiver curioso querendo entender melhor o que eu estou fazendo fora do Brasil é só assistir essa entrevista que dei para o canal Cork For Two, gerido por um casal de brasileiros aqui na cidade de Cork, Irlanda. O canal é um guia sobre como brasileiros podem se ajeitar e se programar para vir para e ter uma nova vida. Nesse programa, focaram em música e no meu trabalho musical. Muito bom… fico feliz pela oportunidade. Assistam, comentem e compartilhem! Valeu! 😉

 

Not so old but gold: New photos from Gusmao Sessions

Gusmão Session - ©Pablo Bernardo

Gusmão Session – ©Pablo Bernardo 2013

In 2013, in the beginning of my solo career, we gathered our forces and equipments to record a music session of 3 live videos in my dad’s ranch under the name Gusmao Sessions.

Gusmão Session - ©Pablo Bernardo

Gusmão Session – ©Pablo Bernardo 2013

From these 3 songs, we released 2 videos and 1 audioa reinterpretation for Tyler, The Creator – Analog 2 mixed with my instrumental Urbano Dub, a live performance of my original song No Grave do Groove and also a reinterpretation for Nacao Zumbi – Hoje, Amanha e Depois, which was approved and shared by Nacao Zumbi (one of the most influential Brazilian bands) in social media reaching more than 6,000 plays on my Soundcloud profile by now.

Gusmão Session - ©Pablo Bernardo

Gusmão Session – ©Pablo Bernardo 2013

I’d like to say thank you to all the team involved on this lovely work: my dad Walter Ude, musicians Helder Araujo (audio recording and guitar), Luiz Prestes (bass), Marco Aurelio Prates (photography), Pablo Bernardo (video) and our dear friends Camila Coeli and Ana Carolina Cervantes. It’s so good to be in the wild, preserve nature!